do It. sbozzo s. m., delineação inicial de uma pintura, escultura ou desenho; bosquejo; fig., resumo; sinopse.

29.9.06

Persigo o escuro da Noite
Vazio de sentimentos
Encontro neste silêncio
Um perpetuar de momentos

Abstenho-me de chorar
Olho a lua com tristeza
Lavo a alma no luar
Abraço a eterna beleza

Fujo ao dia com pavor
Tal morcego embriagado
Causa-me a luz um horror...

Um frio triste apagado
À Noite perto da dor
Sinto o meu corpo abrigado...

28.9.06

Vou perpetuamente falando com o ruído de palavras mudas.
E o verbo não se altera…

25.9.06

A crueldade do mundo rouba-nos a infantilidade do ser onde moram os sonhos perdidos. O ar é frio o coração amedronta-se e com o tempo crescemos.
A vida passa e não nos leva!!!




Sufocou-te uma saudade
Bafejou-te a solidão
Estar só uma verdade
Ser eterno uma visão

Aprendeste a dor de estar
Esperaste o amanhecer
Perdeste tudo num olhar
Deixaste tudo ao morrer.

18.9.06

Escolho perder-te ou não escolho e perco-te apenas. Ou não te perco. Talvez por nunca te ter tido talvez por te ter para sempre. E moro neste tempo que me gasta e se gasta. Que passa talvez por capricho talvez por ter que passar. Que passa disfarçado num tic-tac ininterrupto e ritmado numa dança infinita de ponteiros e pêndulos no cantar horário de cucos nas rugas profundas do ancião num girar de mundos e estrelas. Num acender e apagar de luzes e cores. E passa na sua aparente eternidade. Tão eterna como a tua ausência. Tão aparente como a multidão. E vivo numa aparência eterna. E eternamente aparento viver e vivo-te na ausência do tempo no dançar das estrelas…

13.9.06

Digo-te com os olhos o que a boca não consegue nem sabe dizer
Se ao menos conseguisses ler... e ver como danças no meu olhar
Se pudesses quem sabe sentir... e provar este olhar que te abraça devagar
Talvez ouças como te canta... talvez no fundo saibas
...que sem te devorar te prova aos poucos até ao fim.
E olho-te...

7.9.06

Havia luz mas o sol dormia ainda por detrás do horizonte. As gaivotas faziam questão de se mostrarem acordadas em gritos inconfundíveis talvez de fome talvez de horror talvez apenas no cumprimento dum bom dia. Por entre os prédios que lhes alcançavam o voo mostrava-se o mar calmo e sereno. Alguns cantos nocturnos misturavam-se com o barulho dos poucos motores que passavam e com o abrir de persianas – que o dia chama. As luzes da cidade ainda não apagaram e acendo outro cigarro. Talvez o último que o fresco do dia empurra-me para dentro. Acabo-o. Apago-o. E com a alma lavada de paz abraço o sol e digo até já ao mar.



suspiro absurdo
grito contido
louca fortuna
cantiga vã
silêncio ambíguo
rosto despido
calma oportuna
breve manhã.