Por entre o ruído borbulhante das gentes descubro uma melodia sob um fundo de vidas agitadas. Serei o único a ouvi-la? Se não também não te consigo dizer quem a ouve comigo. Descobri-a e desde esse momento sobrepôs-se a todos os burburinhos. Deixei de ver a gente e uma paz inundou-me. Ouço-a sozinho apertado pela multidão…
do It. sbozzo s. m., delineação inicial de uma pintura, escultura ou desenho; bosquejo; fig., resumo; sinopse.
11.1.07
Dias maus noites piores. A cabeça a rebentar-nos o juízo. A empurrar-nos para o sonho que teve que ficar a meio. Talvez a menos de metade. Tanta vida para mudar tanta ideia para perceber tanto caminho para escolher. Tantas razões para o não fazer… tanto vazio por preencher. “Escrever um livro plantar uma árvore ter um filho”. Tentar ser feliz ao fazer alguém feliz. Rir em lábios que não os nossos vermo-nos noutros olhos num gesto só! Ter a vida segura num olhar. E ser o pouco que ainda assim se possa ser…
5.1.07
Fechei no eterno escuro da alma sonhos vontades quereres. Tanto por fazer e por dizer. Tanto. Tanto ainda por sonhar. Já tanto por sonhar. Por ter ao menos vontade. Queima-me a ausência de essência. Amarga-me a solidão num viver dia após dia na imutável roda gigante de vidas de néon rasca e baço. Mornas. Luzes foscas vidas entediantes. Estáticas. Fechei cores sons saudades memórias sonhos talvez até vidas quem sabe… espremo o peito num agudo ai de agonia. Mudo. Queima-me no escuro do ser…
E tento lembrar o mar…
E tento lembrar o mar…
4.1.07
Embrulha-te no silêncio e escuta-te. Ouve-te de dentro para fora. Sabes quem és? Sabes o que és e como o sentes? Já te ouviste berrar no escuro? Já te invadiu a vontade de estares só? Já te esmagou a solidão? Embrulha-te. O ruído do mundo aperta-te num torno de vida sufocante. Asfixia-te e rouba-te o olhar e tudo o que com ele não precisavas dizer. Li-te num tempo que não lembro um conto de fantasmas moribundos. Ruidosamente aterradores e sós. Embrulha-te. A frieza do ruído pode um dia congelar-te. Tens frio? Sabes quem és? Escondes-te e num mar de gente afogas-te na solidão.
Embrulha-te e diz-me quem és…
3.1.07
19.12.06
Espera, não vás ainda… Há tanto por dizer e por mostrar, há ainda tanto por viver. Não vás. O tempo é escasso. Toda a eternidade seria pouco para te descobrir, seria um só instante para te olhar e quero ver-te. Quero ter-te comigo quero beber o tempo em ti… A nostalgia de um adeus empurra-me para uma solidão inóspita. Não vás.
18.12.06
16.12.06
14.12.06
prisão o ser verdade viver angústia o só perder o só sentir corações ver almas visões mistério sentir mistério sorrir razões corações o só silêncio atroz multidões a fuga a luz a chuva saber o mar querer mais que sorrir milagre sorrir saudade um quê sem dúvidas porquês verdades verdade prisões as almas os corpos venenos vícios prazeres o ser obscuro um corpo o muro silêncio talvez no escuro te vês…
13.12.06
12.12.06
11.12.06
As letras galopavam as folhas numa pressa selvagem numa liberdade natural. Surgiam no passar do aparo como vida na primavera do papel sedento da tinta que as faz brotar. Magia! pensava a cada letra desenhada. Milhares de letras palavras e até frases… Parou de repente por cima do borrão já esperado. Tentou ler. Releu-se e afogado numa gargalhada à séria ironizou o absurdo do que lera e uma culpa ecológica abanou-lhe o cérebro…
10.12.06
7.12.06
6.12.06
No frio da noite arrepiou-a o calor do abraço que recebera. Ali naquele preciso lugar. Ao frio. Inspirou-o até onde coube. Olhou o céu de prata e despejou-o já morno num suspiro profundamente longo. Tão longo quanto o abraço e igualmente profundo. Ali à luz cheia da lua... ao frio. Entre velhos amigos.
5.12.06
Encontro-te entre tantos num dia à chuva. No embaraço da tarde sorris-me como podes como consegues. Olhas-me os olhos. Procuras perguntas ou talvez procures respostas. Então tudo bem é o que consegues balbuciar numa voz parca de som. Oca e vazia. Sorrio num aceno positivo. Pouso-te o beijo que te devo no rubro dos lábios entre a chuva entre a multidão. Demoro mais que o previsto… sussurro-te um adeus que tentas sorrir. E não sorris talvez pelo peso do adeus talvez por estar a chover. E no último olhar na última e mútua súplica alguém perdeu uma lágrima
4.12.06
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